Ao visitar a exposição de Fabio
Magalhaes, espectador da vida, partindo de um ambiente de discussão menos
formal, a universidade, para uma galeria, ambiente do cubo branco, o primeiro
impacto é sempre relacionado a ambientação. O espaço cria uma separação do local externo paramelhor interação e interpretação das obras expostas. Como
pessoa que acompanha os trabalhos de Fabio, ao entrar na galeria esperava
trabalhos de tela e dimensões grandiosas, fui positivamente surpreendida com a
minucia e o detalhe das esculturas em miniaturas que nos foi apresentada. O
trabalho visceral dos seus quadros, que de longe se assemelham a fotografia e
de perto eh possível ver cada detalhe das pinceladas bem posicionadas, mas não
deixando hora alguma perder a força como pintura, estava lá substituído por
pequenas esculturas tão impactantes e viscerais quanto os quadros. Cada detalhe
dos estofados, das xicaras, do sangue, das vísceras pareciam retratos tridimensionais de uma
cena de crime, crime aparentemente contra o amago. Não era preciso ler o
titulo, ou conhecer anteriormente os trabalhos do artista para sentir a agonia,
o medo da perda de cada pedaço que era representado. Com as doze obras-objetos expostas
na galeria Paulo Darzé, decidi fazer um recorte da obra que mais me marcou e
comentar a partir do meu ponto como observadora essa obra. A primeira que vi e,
assumo, a que mais mexeu comigo, foi Ermo, um minúsculo balanço carregando vísceras
pendurado por correntes que iam ate o teto, pé direito altíssimo da galeria,
com ladrilhos “no chão” em uma sala apenas dedicada para essa obra. Uma obra
extremamente silenciosa, um balanço que muitas vezes me remete a criança,
diversão, barulho, eh o mesmo que já sentei diversas vezes sozinha, em
silencio, criança e ate adulta. Esse balanço, com pedaços de vísceras, que
podiam ser de qualquer um, inclusive minhas. A humanidade com que o artista
compartilha o seu momento mais intimo de criação é, para mim, uma das coisas
mais espetaculares a respeito do trabalho de Fabio Magalhaes.
A exposiçao foi exposta na galeria Paulo Darzé do dia 29 de março até o dia 03 de maio de 2019.
Emanuela Boccia
Mestranda em Artes Visuais - UFBA
Foto: obra Ermo, retirada: http://www.instahu.com/p/2011751211620697206_2243625967

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