A fragilidade humana em Fábio Magalhães


     A exposição do artista Fábio Magalhães, intitulada “Espectador da vida”, aconteceu na Galeria Paulo Darzé de 29 de março a 03 de maio de 2019, com curadoria de Thais Darzé. Nela foi possível contemplar miniaturas de espaços, sobretudo privativos, e sua relação com o ser, além de algumas pinturas, que ocupavam todo o espaço da Galeria. Quem compareceu pode apreciar as obras e, quem sabe, sentir-se um pouco emaranhado nelas.
     A assepsia toma as obras de Fábio Magalhães, tal como a carne. Esta contradição está presente em cada pequeno espaço. A fragilidade humana repousa, ferida, sob as mesas, os divãs, os bancos, as namoradeiras, e encontra reflexo em cada espectador. O tempo passa, acumula-se em areia e xícaras, e não há como detê-lo. Passam-se os dias e tudo permanece o mesmo: é atemporal.
     Os órgãos responsáveis pela fala perdem a voz, no lugar propício à escuta. O silêncio toma todo o espaço e é nele que surge o que deveria estar oculto: o vermelho vaza por debaixo dos tapetes. Traz à tona as revelações que um dia tentaram ser escondidas. Em um outro canto, acumulam-se as possibilidades em telas brancas, situações hipotéticas, um futuro que não vem.
     O pensamento artístico de Magalhães se baseia em duas tríades. A primeira, que diz respeito ao ponto de vista técnico, consiste nos elementos da ficção (simulação do ato), da fotografia (registro da simulação) e da pintura (executada tendo como referência a fotografia realizada). O segundo tripé, conceitual, tem como base o eu (uso de sua própria imagem ou das vísceras que o representam), o corpo e o ser (utilização do primeiro para atingir o segundo).
     Fábio Magalhães nasceu em Tanque Novo, Bahia, em 1982. Vive e trabalha em Salvador. Dentre as exposições individuais, destacam-se: “Jogos de Significados”, na Galeria do Conselho (Salvador/BA, 2009) e “Retratos Íntimos”, na Galeria Laura Marsiaj (Rio de Janeiro/RJ, 2013). Foi selecionado para o “Rumos Itaú Cultural 2011/2013” e recebeu o Prêmio FUNARTE Arte Contemporânea / Sala Nordeste (Recife/PE, 2012).

Samuel Harumi Nakasone
Mestrando em Artes Visuais pela UFBa

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